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Álbuns que mudaram o rap nacional | Parte 2

Álbuns que mudaram o rap nacional | Parte 2

Nesta segunda parte sobre os álbuns que mudaram o rap nacional (se você ainda não leu a parte um, sobre o disco “Sobrevivendo no Inferno”, dos Racionais MC’s, clique aqui), falaremos sobre o album “Todos São Manos”, do grupo RZO.


Leia o post e relembre as faixas e todo o contexto na época de lançamento do disco. Se liga!


 

O disco


“Todos são manos/ Todos são humanos”. Se você conhece esses versos, é sinal de que conhece também o álbum “Todos São Manos”, do RZO. O disco foi lançado em 1999 e foi uma baita revolução na cena para a época.


O contexto violento do fim do século XX foi a inspiração para essa obra. Repressão policial, falta de representatividade e a exclusão dos moradores da periferia pelo Estado foram temas que estiveram presentes no álbum composto de 19 faixas, incluindo as mais famosas “O Trem” e “Pirituba”.


As batidas secas e os típicos boom baps reverberaram as vozes de Helião, Sandrão, Calado, DJ Cia e a já fantástica Negra Li, em refrões marcantes, como o “Eu corro atrás/ Nunca é demais, assim que se faz/ Vai que vai, Seja de paz, malandragem, malandragem” em “Paz Interior”.


 

Mensagem e atitude


Logo de cara, em “Todos São Manos”, terceira canção do disco, fica evidente a intenção do grupo em unir os diversos cantos de São Paulo. Era uma forma de dar voz e representatividade para as quebradas periféricas da capital e cidades próximas.

 

[...]

Favela da Combustão, eu vou, Líbano,

Vila Mangalot, quebradas que não se esquece,

aperta, acende, passa a bola, morô mano, curte rap,

no Butantã eu considero Rio Pequeno,

Jaraguá é mil e dez Favela da São Remo,

"vai vendo", à todos os da baixada de Santos,

Praia Grande, Oceano, Cubatão, São Vicente eu mando.

Melhor é o dia de amanhã, a quebrada da Gleba, México, Setenta, Favela do Vietnã, liga Uberaba, Piracicaba ao Interior, Campinas, Ribeirão Preto. [...]
 


Em “O Rádio”, a crítica do grupo é pesada. “Mudar de rádio, eu já não aguento mais / Ouvir tanta merda / Poucas opções, o FM já não presta”, diz Sandrão em um trecho da música. A pouca representatividade da música da periferia nas grandes rádios do país revoltava os músicos, que deixaram toda essa inquietação em um som pesado! Se liga:

 

 

“Real Periferia” e “A Lei” são as canções mais reflexivas do álbum. Polícia, drogas, periferia, o favelado na sociedade e a negligência do Estado são temas abordados no som, que teve rima da Negra Li e um refrão bem marcante. Relembre:

 

 

A história de um morador da quebrada que foi morto com seis tiros por conta do crack é retratada na curta faixa “Estágio Final”. O som tem início com um conversa entre Sandrão e Helião. Papo vai, papo vem, e eles comentam sobre a morte de Elias. Tudo levar a crer que foi acerto de contas. No final, a dupla de MCs se reveza nos versos com algumas gírias populares.

 

[...]

[Helião]

A corda arrebenta sempre do lado mais fraco

[Sandrão]

Em briga de foice, machado não entra

[Helião]

Água mole, pedra é dura, tanto bate até que fura

[Sandrão]

Malandro é malandro, mané é mané [...]


 

Clássicos
 

“Americanos” é um escracho com o amor dos brasileiros pela cultura norte-americana. O som é um alerta para as pessoas consumirem mais as coisas do Brasil, deixando de lado toda a “babação de ovo” aos gringos.

 

 

“O Trem” é a faixa que fecha o disco. A música, que é uma das mais lembradas pelos fãs da “Rapaziada da Zona Oeste”, fez bastante sucesso e foi um dos singles mais reproduzidos na época.
 

A letra da canção mostrava a realidade dos trens na capital: superlotação, furtos, tráfico de drogas e condições deploráveis de viagem dos passageiros. Helião e Sandrão mandam rimas certeiras e o beat também não decepciona.


 

Ouça o álbum completo:

 

 

E aí, o que achou da lista? Comente e compartilhe com os amigos!

 

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